quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Oficina 14 – 20 out. 2009

1º momento

Leitura compartilhada do texto O mundo é vasto, de Danuza Leão.


O mundo é vasto

Danuza Leão

É muito difícil encontrar nosso caminho, o certo - se é que ele existe. O que você pretende ser quando crescer? Sinceramente: alguém, em sã consciência, pode, aos 15, ter a certeza de que pretende passar a vida no pregão da Bolsa de Valores ou abrir um restaurante chinês? As coisas vão acontecendo, as ocasiões se apresentando e, como dizem os gaúchos, é preciso estar atento para montar o cavalo quando ele passar encilhado. E, se olhar para trás, vai reconhecer que talvez ele tenha passado várias vezes - só que você não percebeu. Na vida pessoal/afetiva é a mesma coisa. Quantas vezes não aconteceu de aparecer alguém com quem você poderia ter vivido uma bela história, mas que não foi nem considerado na época, porque seu coração batia mais forte quando o outro chegava; aquele, aliás, que quase nunca chegava e um dia te largou por outra. É duro chorar pelo que não se fez e pela pior das cegueiras: a cegueira mental. É maravilhoso saber o que se quer e trabalhar com perseverança para chegar lá, mas a vida não pára de passar; enquanto batalha pelo que quer, fique atenta, pois de repente pode acontecer alguma coisa que vai mudar totalmente seu rumo. Seu sonho é fazer um documentário, mas ainda não conseguiu chegar lá - é, a vida é dura, somos todos injustiçados e incompreendidos. Se nesse meio tempo alguém oferece um trabalho por 15 dias, coisa modesta, tipo encapar livros ou ajudar a fazer pulseiras de artesanato ganhando uma graninha bem pequena, você aceita ou se sente quase ofendida? Pois aceite: quem sabe descobre uma vocação que nunca havia percebido antes e acabe criando jóias de verdade e se tornando uma nova Paloma Picasso. No meio do caminho tudo pode acontecer, até descobrir que você gosta mesmo é de mexer com metais - e daí para virar escultora é só um passo. E tem a natureza, os mares, as florestas, os desertos, os aviões, a televisão, os sabores, as texturas, a política, as crianças, o frio, o prazer de andar descalça na grama, a internet, os peixes, o amor, os livros, o vento, a chuva, o futuro, o passado, a memória, a esperança, o sono, a água, o fogo, as letras, os números, as religiões, a cultura, a história e o melhor de tudo: a imaginação. Não é possível que você não consiga encontrar um interesse digno desse nome diante de tantas maravilhas. De pelo menos uma dessas coisas você deve - ou pode - gostar apaixonadamente. Vá ao mercado perto de sua casa, compre um abacaxi e pense no milagre que é a natureza, milagre que se repete em cada fruta, cada folha, e que uma vida inteira seria pouco para refletir sobre o que é o paladar, o aroma, a textura de cada uma dessas coisas que a gente olha todos os dias mas não vê. De descoberta em descoberta a vida vai passando e, um dia,quando você menos espera, acontece o que você mais queria: encontra seu verdadeiro caminho. Quando isso acontecer, vai ser maravilhoso, mas mesmo assim nunca abra mão das infinitas possibilidades que existem e vão existir sempre.

2 º momento


Introdução ao tema da Unidade 3 (TP1): O texto como centro das experiências no ensino da língua


  • Os objetivos da unidade:

– conceituar texto;

– indicar as razões do estudo prioritário de textos no ensino/aprendizagem de línguas;

– reconhecer os diferentes pactos de leitura dos textos.



  • Afinal, o que é texto?


– Realização da dinâmica “O que é texto?”:

i. vários textos, de gêneros diversos, são colocados à disposição do grupo (conta de água, poema concreto, letra de música, fotografia, ficha de inscrição, etc.);

ii. os cursistas são estimulados a dizer quais, dentre os materiais apresentados, podem ser chamados de texto;

iii. a definição de texto sugerida no TP 1(unidade 2, seção 1) é apresentada e os cursistas devem revelar que critérios eles usaram para decidir se determinado material poderia ou não ser considerado texto.


– Texto é toda e qualquer unidade de informação, no contexto da enunciação. Pode ser oral ou escrito, literário ou não literário.

– Há textos verbais, criados com palavras e textos não verbais, criados por outras linguagens que prescindem a palavra.

– Leitura é o processo de atribuição de sentido a qualquer texto, em qualquer linguagem.

– Leitura de imagens: desenvolvimento da Atividade 5 (p. 103).


  • Por que trabalhar com textos?

De acordo com os PCNs,

A importância e o valor dos usos da linguagem são determinados historicamente segundo as demandas sociais de cada momento. Atualmente, exigem-se níveis de leitura e de escrita diferentes dos que satisfizeram as demandas sociais até há bem pouco tempo – e tudo indica que essa exigência tende a ser crescente. A necessidade de atender a essa demanda obriga à revisão substantiva dos métodos de ensino e à constituição de práticas que possibilitem ao aluno ampliar sua competência discursiva na interlocução.

Nessa perspectiva, não é possível tomar como unidades básicas do processo de ensino as que decorrem de uma análise de estratos – letras/fonemas, sílabas, palavras, sintagmas, frases – que, descontextualizadas, são normalmente tomados como exemplos de estudo gramatical e pouco têm a ver com a competência discursiva. Dentro desse marco, a unidade básica do ensino só pode ser o texto.


O objetivo de ensino-aprendizagem da língua é, portanto, desenvolver nos alunos sua competência discursiva, que em última análise é a capacidade de compreender e produzir textos diversos, orais, escritos, em particular os de ampla divulgação na sociedade (p. 106).

– Os textos têm de ser explorados no que eles têm de único e não só nas suas marcas mais gerais.

– Organizados em grupos menores, os cursistas escolhem um dos textos apresentados durante a dinâmica inicial e preparam uma atividade de compreensão e análise direcionada a uma turma de um dos anos do ensino fundamental. Ao apresentar a atividade, explicitam os objetivos específicos que pretendem atingir (habilidades e competências a serem trabalhadas).


  • Os pactos de leitura

– Análise de anúncios publicados em sites de relacionamento:


Cássia se inscreveu em um site de encontros com o objetivo de encontrar um namorado.


Perfil de Cássia

“Sou professora, tenho 42 anos, adoro ler, viajar e curtir as baladas. Não sou propriamente romântica, mas sei dar e receber carinho... Desejo viver um relacionamento que se baseie em respeito à individualidade, companheirismo e afeto. Se deseja algo semelhante, escreva-me falando um pouco sobre si”.


Em resposta, ela recebeu as seguintes mensagens:


Recado enviado por QI

olhos penetrantes, coraçao ardente...

estou so preciso de uma companheira pra morar na fazenda, cuidar de gado ou seja uma vida sertaneja. ta afim entao e agora .....

Recado enviado por ELIAS

Profissional especializado e pós-graduado no exterior, um pouco caseiro, mas que gosta de sair e se divertir em lugares legais, viajar, ler, ver filmes, aproveitar dias de sol com família e amigos, enfim, um pouco sério às vezes, bem divertido às vezes, enfim, difícil se auto-descrever. Se achar que deve: ARRISQUE-SE!

Recado enviado por PORTUGA

Portugues que gosta da diversao

EU sou natural, so conhecendo para saber a verdade, algo muito diferente

Recado enviado por TOMATE

Aprendi com a vida, e ainda quero aprender mais...........

Sou brincalhão, mas gosto de coisa séria quando há esta necessidade, procuro meu par, aquela com quem gostaria de ter um Amor, seja como for, aquela loucura, que todo romântico quer, seja ela com ou sem final feliz, mas uma história de Amor............


Como acha que ela reagiu a cada uma dessas respostas, ou seja, que leitura ela fez de cada um dos perfis?


– Uma vez que o texto realiza a interação, nas considerações sobre texto devem ser evidenciados os sujeitos dessa interlocução.

– Assim como o locutor, com suas intenções, imagina seu interlocutor, e, em função do contexto específico, produz seu texto, o interlocutor, com seus objetivos e experiências, procura o texto que lhe serve em dado momento.

– Pacto de leitura é um “acordo”, um “contrato” implícito entre o locutor e o interlocutor de um texto, por meio do qual cada um cria uma expectativa com relação ao que vai ser lido.


3 º momento


Introdução ao tema da Unidade 4 (TP1): A intertextualidade


  • Os objetivos da unidade:

– identificar os traços da intertextualidade em nossa interação cotidiana;

– identificar os vários tipos de intertextualidade;

– identificar os pontos de vista nas diversas interações humanas.


  • O diálogo entre textos: a intertextualidade


– A intertextualidade é o que ocorre toda vez que um texto tem relações claras com outro, ou outros. É, portanto, um diálogo de um texto com outro.

– Leitura de charges publicadas, na última semana, em periódico local:

i. com que acontecimentos/notícias dialoga cada uma das charges?

ii. é possível perceber o humor das charges sem o conhecimento prévio desses acontecimentos/notícias?

iii. duas das charges fazem referências a questões especificamente locais: quais são elas?

iv. Pessoas que não residem em nossa cidade e que não conhecem a nossa realidade, ao fazer a leitura dessas charges, atingiriam o mesmo nível de compreensão que nós?


  • As várias formas de intertextualidade


Processos intertextuais que envolvem o texto inteiro

Paráfrase e paródia serão entendidas a partir da leitura de “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias e de outros textos que com ele dialogam.


Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


– Paráfrase: acompanha de perto o texto original, como ocorre nos resumos, adaptações e traduções.


[...]

Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a "Canção do Exílio".
Como era mesmo a "Canção do Exílio"?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras
onde canta o sabiá!

(C.D.A, “Europa, França e Bahia”)


– Paródia: inverte ou modifica a narrativa, sua lógica, sua ideia central. Em geral, é crítica.


RETIFICAÇÃO

Claudius Hernon Portugal

As palmeiras derrubaram

Para no lugar construírem

uma auto-estrada

O sabiá ganhou um festival

nos idos de 68

Mas está sendo rapidamente

exterminado

Ou anda preso

em alguma gaiola

O exílio de minha terra

deixou de ser uma canção


– Pastiche: procura aproveitar a estrutura, o clima, determinados recursos da obra.


Muitos programas humorísticos brasileiros fazem de seus quadros pastiches. É o que acontece, por exemplo, com o infantil “A turma do Didi”, em que a estrutura, as ações, a dinâmica das cenas se apóiam em clássicos do cinema mudo, como “O Gordo e o Magro”.


Processos intertextuais pontuais, que retomam um ou alguns elementos do texto


– Citação: consiste em apresentar um texto, um dado da obra. O segundo texto procura deixar claro o texto original. No caso do texto verbal, o autor do texto original é indicado.


Para entendermos o que é linguagem, faz-se necessário definirmos antes signo lingüístico. De acordo com Vanoye (2002, p. 21),

Signo é a menor unidade dotada de sentido num código dado. Decompõe-se num elemento material, perceptível, o significante, e num elemento conceptual, não perceptível, o significado (por exemplo, a palavra mesa pode ser ouvida ou vista, conforme seja pronunciada ou escrita: o som “mesa” e a forma gráfica “mesa” são significantes que remetem ao mesmo significado, o conceito de mesa, “objeto constituído por uma superfície plana sustentada por um ou mais pés”).


A linguagem é, pois, um conjunto de signos, um código composto por um conjunto de regras que tanto permite construir mensagens, quanto compreendê-las.


– Epígrafe: tem as mesmas características da citação, mas tem localização fixa: aparece sempre como abertura do segundo texto.


– Referência: é a lembrança de passagem ou personagem de outro texto.


“’A Divina Comédia’. Procurei, um por um, umas três ou quatro vezes e não encontrei. Eu tinha certeza de ter aquele livro em casa. Quantas vezes o folheei, revirando os trechos do inferno... o encontro de Dante com Francesca, condenada pelo amor...”


– Alusão: é o aproveitamento de um dado de um texto, sem indicações ou explicitações.


  • O ponto de vista


– Desenvolvimento da Atividade 11 (p. 149-150).


Atividades avaliativas previstas


– Desenvolvimento pelos cursistas de uma das atividades sugeridas nas seções Avançando na prática das Unidades 3 e 4.





quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Oficina 13 – 06 out. 2009

1º momento

Leitura compartilhada do poema "Traduzir-se", de Ferreira Gullar.

TRADUZIR-SE

Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

2º momento

Apresentação das aplicações de atividades do "Avançando na prática" e troca de experiências.

3º momento

Introdução ao tema da Unidade 2 (TP1): Variantes línguísticas: desfazendo equívocos

Os objetivos da unidade:
– caracterizar a norma culta;
– caracterizar a linguagem literária;
– caracterizar a língua oral e a língua escrita.
  • Língua, cultura e práticas sociais e língua e exclusão

– Exibição da charge Muita injustiça.




– Identificação da variante lingüística empregada pelo orador (personagem da charge), da situação comunicativa retratada e discussão a respeito da necessidade do ensino da norma culta.

– Caracterização da norma culta:
i. uma norma é escolhida para ser a variante posta à disposição de todos os falantes da língua. Teria o papel altamente louvável de estabelecer um padrão comum a todos os falantes de determinada comunidade lingüística e facilitar a interação entre eles em muitas situações;

ii. é culta, porque se refere ao uso dos grupos escolarizados, em geral privilegiados do ponto de vista social e econômico e, portanto, também cultural;
iii. a norma culta é escolhida como norma-padrão, que é usada nos documentos, sobretudo os oficiais, em grande parte da literatura, dos escritos e falas da imprensa. Sua maior característica é a correção pautada na gramática normativa;
iv. não é melhor nem pior, mais bonita ou mais feia do que qualquer outra norma/dialeto;
v. não é obrigatoriamente o espaço da língua escrita ou da literatura;
vi. deve ser trabalhada na escola como dialeto a ser dominado aos poucos pelo aluno, por ser o mais adequado a certas situações de comunicação.

– Análise dos mitos destacados por Marcos Bagno em Preconceito Linguístico.

– Análise dos textos “A carta de Alfredão” e “Resposta de Bertolino” com o objetivo de verificar as dificuldades de comunicação entre os interlocutores em virtude da utilização de uma variante que não era dominada por ambos.

  • A linguagem literária

– No texto literário, há liberdade completa no uso das variantes da língua. O autor pode empregar a norma culta ou o dialeto popular, o registro mais formal ou mais informal, dependendo de suas intenções, do assunto, do ambiente e dos personagens retratados.
– Leitura dos textos Aos poetas clássicos, de Patativa do Assaré, e Murilograma a Fernando Pessoa, de Murilo Mendes para análise das escolhas linguísticas feitas por cada um dos poetas.

  • A língua oral e a língua escrita

– Leitura do texto "Sexa", de Luís Fernando Veríssimo, com objetivo de reconhecer características próprias das modalidades oral e escrita da língua.

– Traços da linguagem oral:
i. presença dos envolvidos na situação comunicativa (pai e filho estão frente à frente e têm turnos de falas);
ii. o locutor conta com o apoio da voz (com certo ritmo e certa entoação), tem as possibilidades da mímica (expressão facial e gestos) e o contexto para ajudar o seu interlocutor a criar os significados;
iii. o interlocutor, por meio de sua expressão corporal, ajuda o locutor a avaliar sua própria fala e este, dependendo do resultado da avaliação, pode repetir, alterar ou reorganizar sua frase, mudar de tom, etc;
iv. a organização em turnos de falas exige dinamicidade e rapidez dos interlocutores, que não podem eliminar o que foi dito. Podem apenas interromper e retificar.

– A linguagem oral envolve diversidade de uso de registros, não é campo exclusivo do registro informal. As escolhas dependem dos interlocutores envolvidos e da situação comunicativa.

– Traços da linguagem escrita:
i. em geral, não há proximidade entre os interlocutores;
ii. o escritor não conta com recursos como a voz, os gestos, a clareza do contexto e as reações do leitor. Portanto, deve empregar recursos para reduzir a possibilidade de dúvidas de interpretação por parte do leitor;
iii. o escritor dispõe de tempo para revisar e editar seu texto e o leitor, para ler, reler, voltar atrás diversas vezes. Assim, repetições, interrupções, vacilos, mudanças de rumo das frases não cabem na escrita.

– A linguagem escrita não é território exclusivo do registro formal. Como na oralidade, os objetivos do locutor, as características do interlocutor e a função da comunicação determinam a escolha do registro.

– Discussão sobre a importância de se trabalhar a oralidade em sala de aula.

– Análise do Avançando na prática (p.86).

Atividades avaliativas previstas

– Desenvolvimento pelos cursistas de uma das atividades sugeridas nas seções Avançando na prática das Unidades 1 e 2.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Oficina 12 – 22 set. 2009

1º momento

Leitura compartilhada do texto A caixa de brinquedos, de Rubem Alves.

2º momento

Apresentação das aplicações de atividades do Avançando na prática e troca de experiências.

3º momento

Introdução ao tema da Unidade 24 (TP6): Literatura para adolescentes
O homem não é só um animal social, é um animal estético também. E, dentre as artes, a literatura, tendo como matéria-prima a palavra, é a que mais aprofunda nossa reflexão sobre a condição humana. (TP 6, p. 165)

• Os objetivos da unidade:
– avaliar o envolvimento do professor com que os adolescentes lêem;
– conhecer as principais tendências na produção de uma literatura para adolescentes e critérios de seleção das obras;
– desenvolver atividades capazes de despertar o aluno para o prazer e o valor da literatura.

• Desenvolvimento de atividade, discussão e análise das respostas
– Leitura do conto introdutório do livro Conversa para boy dormir, de Leo Cunha.
– Desenvolvimento individual da Atividade 3 (p. 171-174).
– A partir da apresentação das respostas elaboradas pelos cursistas, promover reflexões acerca de aspectos relevantes a serem observados quando o objetivo é estimular a leitura de textos literários por adolescentes:
i. a família é fator importantíssimo na formação do gosto pela leitura (ao tratar desse tópico, apresenta-se aos cursistas a sugestão de uma atividade em que a família é envolvida na leitura de textos literários. A atividade consiste na preparação de uma pasta em há alguns textos literários, como contos, crônicas, poemas, romances, novelas e um caderno para registro de impressões. A cada semana, um dos alunos leva a pasta para casa e, além de ele próprio escolher um leitura, apresenta seu conteúdo aos familiares, sugerindo que escolham um texto para ler. Concluída a leitura, tanto o aluno quanto o familiar registram no caderno que textos leram e breves comentários – se gostaram ou não dos textos lidos, por exemplo. Ao devolver a pasta, o aluno é levado a relatar a experiência);
ii. as crianças, assim como também os adolescentes, não têm gostos idênticos no que se refere aos textos literários, por isso a imposição de um livro a toda turma é um equívoco;
iii. os clássicos são sempre importantes, estejam eles ligados à tradição popular ou não;
iv. os alunos só descobrirão a literatura se os seus professores a redescobrirem;
v. a imposição da leitura de textos literários não cria o gosto por essa atividade;
vi. a leitura é um esforço e só pode ser prazerosa se o que lemos tem algum significado para a nossa vida;
vii. conduzir a leitura para o campo instrucional pode tirar dela o poder da fantasia e o do jogo, fazendo com que os alunos percam o interesse.,

• A literatura para adolescentes: tendências e seleção de obras
– Desenvolvimento individual da Atividade 6 (p. 183).
– Apresentação das características de obras endereçadas ao público adolescente (p. 183).
– Discussão sobre a temática dessas obras (p. 184 e 186).
– Discussão sobre a qualidade literária (a partira da análise dos posicionamentos de José Paulo Paes, Hércules Tolêdo Correa e Marisa Lajolo, p. 187).

• Como despertar os adolescentes para o prazer da literatura?
– Os cursistas deverão se manifestar a respeito das seguintes questões:
i. Como fazer a escolha de títulos?
ii. Que fazer enquanto os alunos estão lendo?
iii. Como avaliar a leitura dos alunos?
– Após a discussão de cada uma das questões, serão apresentadas as sugestões presentes no TP6 (p. 195-198).

4º momento

Introdução ao tema da Unidade 1 (TP1): Variantes linguísticas: dialetos e registros

• Os objetivos da unidade:
– relacionar língua e cultura;
– identificar os principais dialetos do Português;
– identificar os principais registros (ou idioletos) do Português.

• Pensamentos, experiências e valores são expressos pela língua
– Leitura, compreensão e análise de Retrato de velho, de Drummond com o objetivo de discutir o caráter dinâmico da língua, na qual se reflete a evolução da sociedade e de sua cultura.

• A língua não é uniforme, única: apresenta variações conforme os grupos que a usem, os chamados dialetos
– Leitura, compreensão e análise de “Nóis mudemo” para introdução da seguinte questão: considerar um dialeto superior a outro é um preconceito infundado, na medida em que cada um cumpre perfeitamente suas funções comunicativas no âmbito em que é usado.
– Incentivar os cursistas a revelarem o que entendem por dialeto e quais são os principais (etário, geográfico ou regional, de gênero, social, profissional).

• O registro (ou idioleto) – variante escolhida pelo sujeito em cada ato específico de comunicação, segundo o contexto – mudam a discussão sobre certo/errado para o campo adequado/inadequado.
– Leitura do texto As diversas formas de dizer a mesma coisa e análise das variantes escolhidas pelo emissor em cada uma das situações comunicativas propostas.

Atividades avaliativas previstas
– Desenvolvimento pelos cursistas de uma das atividades sugeridas nas seções Avançando na prática das Unidades 23 e 24.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Descobri o que são brinquedos!

A CAIXA DE BRINQUEDOS

Rubem Alves
colunista da Folha de S.Paulo

27/07/2004 - 03h32

A idéia de que o corpo carrega duas caixas – uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda – apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e digerir santo Agostinho. Como você deve saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros, pode-se dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: "Isso é o meu corpo; isso é a minha carne".

Santo Agostinho não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso.

Pois santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim) e a ordem do "frui". "Uti" significa o que é útil, utilizável, utensílio. Usar uma coisa é utilizá-la para obter uma outra coisa. "Frui" significa fruir, usufruir, desfrutar, amar uma coisa por causa dela mesma.

A ordem do "uti" é o lugar do poder. Todos os utensílios, ferramentas, são inventados para aumentar o poder do corpo. A ordem do "frui" é a ordem do amor —coisas que não são utilizadas, que não são ferramentas, que não servem para nada. Elas não são úteis; são inúteis. Porque não são para serem usadas, mas para serem gozadas. Aí você me pergunta: quem seria tolo de gastar tempo com coisas que não servem para nada? Aquilo que não tem utilidade é jogado no lixo: lâmpada queimada, tubo de pasta dental vazio, caneta sem tinta...

Faz tempo, preguei uma peça num grupo de cidadãos da terceira idade. Velhos aposentados. "Inúteis" – comecei a minha fala solenemente. "Então os senhores e as senhoras finalmente chegaram à idade em que são totalmente inúteis..." Foi um pandemônio. Ficaram bravos, me interromperam e trataram de apresentar as provas de que ainda eram úteis. Da sua utilidade dependia o sentido de suas vidas.

Minha provocação dera o resultado esperado. Comecei, mansamente, a argumentar. "Então vocês encontram sentido para suas vidas na sua utilidade. Vocês são ferramentas. Não serão jogados no lixo. Vassouras, mesmo velhas, são úteis. Uma música do Tom Jobim é inútil. Não há o que fazer com ela. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que se parecem mais com as vassouras que com a música do Tom... Papel higiênico é muito útil. Não é preciso explicar. Mas um poema da Cecília Meireles é inútil. Não é ferramenta. Não há o que fazer com ele. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que preferem a companhia do papel higiênico à do poema da Cecília..." E assim fui acrescentando exemplos. De repente os seus rostos se modificaram e compreenderam... A vida não se justifica pela utilidade, mas pelo prazer e pela alegria —moradores da ordem da fruição. Por isso Oswald de Andrade, no "Manifesto Antropofágico", repetiu várias vezes: "A alegria é a prova dos nove, a alegria é a prova dos nove...".

E foi precisamente isso o que disse santo Agostinho. As coisas da caixa de ferramentas, do poder, são meios de vida, necessários para a sobrevivência (saúde é uma das coisas que moram na caixa de ferramentas. Saúde é poder. Mas há muitas pessoas que gozam de perfeita saúde física e, a despeito disso, se matam de tédio). As ferramentas não nos dão razões para viver; são chaves para a caixa dos brinquedos.

Santo Agostinho não usou a palavra "brinquedo". Sou eu quem a usa porque não encontro outra mais apropriada. Armar quebra-cabeças, empinar pipa, rodar pião, jogar xadrez ou bilboquê, jogar sinuca, dançar, ler um conto, ver caleidoscópio: tudo isso não leva a nada. Essas coisas não existem para levar a coisa alguma. Quem está brincando já chegou. Comparem a intensidade das crianças ao brincar com o seu sofrimento ao fazer fichas de leitura! Afinal de contas, para que servem as fichas de leitura? São úteis? Dão prazer? Livros podem ser brinquedos? O inglês e o alemão têm uma felicidade que não temos. Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês, "play". No alemão, "spielen". Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são brincadeiras que inventamos para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa.

Esse é o resumo da minha filosofia da educação. Resta perguntar: os saberes que se ensinam em nossas escolas são ferramentas? Tornam os alunos mais competentes para executar as tarefas práticas do cotidiano? E eles, alunos, aprendem a ver os objetos do mundo como se fossem brinquedos? Têm mais alegria? Infelizmente, não há avaliações de múltipla escolha para medir alegria...

Oficina 8 – 08 set. 2009

1º momento

Leitura compartilhada (As tarefas da educação, de Rubem Alves).

2º momento

Introdução à Unidade 22 (TP6): Produção textual: planejamento e escrita

• Reflexões e estratégias relacionadas ao planejamento da escrita
– Leitura dos poemas sugeridos na Atividade 1 (p. 76-77).
– Análise dos poemas e discussão sobre como um autor planeja sua escrita.
– Desenvolvimento da Atividade 3 (p.87-88).
– Troca de experiências: os cursistas relatam atividades e procedimentos que comumente adotam em suas turmas para preparar seus alunos para a escrita.
– Análise do Avançando na Prática (p. 91-92) para que os cursistas avaliem os procedimentos de pré-escrita que relataram anteriormente. Síntese das conclusões a que chegaram.

• Estratégias para planejamento e escrita de textos
– Apresentação das etapas das oficinas de leitura e produção de texto (exposição baseada em material preparado pela Profª Erla Delane para a Oficina de Acompanhamento do GESTAR II – MG).
– Desenvolvimento da Atividade 3 (p.87-90) e análise das estratégias utilizadas nessa atividade.
– Em grupos, os cursistas planejam oficinas de leitura e produção de texto.
– Socialização dos planejamentos.

3º momento

Introdução à Unidade 23 (TP6): O processo de produção textual: revisão e edição

• Identificar parâmetros de avaliação e ações necessários ao desenvolvimento da etapa de revisão
– Desenvolvimento da Atividade 1 (p.121-124) com o objetivo de destacar a utilização dos seguintes itens:
O texto cumpre seu objetivo?
Consciência da audiência;
Relevância do conteúdo;
Sequenciação da informação
Nível de formalidade
Função da comunicação
Conveção (formato do documento)

• Identificar os elementos necessários ao desenvolvimento da etapa de edição

– Produção coletiva: ampliar a frase, acrescentando classes gramaticais, atentando para o uso de conectores.
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
– Análise do Avançando na prática (p. 141).

• Produzir atividades de revisão e de edição da escrita
– Desenvolvimento da Atividade 9 ( questões de A a G, p. 148-150).
– Em grupos, os professores elaboraram uma atividade de revisão e de edição da escrita a partir do texto transcrito a seguir.

Jovens Discutem segurança pública

Esse movimento é um grande insentivo para todos os moradores do bairro, para que todos possam enxergar o lado bom do bairro.
Esse fato tem um lado bom, pois alguém vendo o movimento pode agir e atender ao pedido da comunidade, o lado ruim é que o movimento acontece, nada muda, ninguém da ideia, simplesmente fica por isso mesmo.
Se eu morace no bairro, com certeza daria um apoio ao movimento, pois é muito importante que todos da comunidade do bairro Milho Branco decem uma força.
Quando li esse anúncio achei muito legal da parte do grupo jovem o incentivo para a comunidade.
Esse fato concerteza deve ter dispertado o incentivo a comunidade, pois elas acham uma esperança para o bairro.
Com o movimento o bairro espera que a violência venha ser diminuída, e a segurança seja reforçada.
Não só no bairro Milho Branco que acontece mais no meu e nos vizinhos.

(E., 16 anos, aluna do 9º ano do Ensino Fundamental)

– Socialização das atividades elaboradas.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Oficina 8 – 08 set. 2009

Tema: Unidade 21 (TP6): Argumentação e linguagem

1º momento

è Leitura compartilhada (Gaiolas e asas, de Rubem Alves).

2º momento

– Apresentação de relatórios do “Avançando na prática”.

3º momento

  • Identificar marcas de argumentatividade na organização dos textos

– Ouvir a música “São Gonça”, de Seu Jorge.

– Formular questões para análise da letra como argumentação:

Que tema a música aborda?

Observar que é retratada uma situação do cotidiano (desentendimentos de um casal, tentativa de reconciliação); há lirismo, presença da função de linguagem emotiva: essas observações devem servir à reflexão de que a argumentatividade está presente no cotidinao, em diversos gêneros de texto, nas mais diversas situações comunicativas.

O que o EU pretende com seu discurso, qual é a intenção comunicativa?

De que tipologia textual são próprios os recursos que o EU utiliza em seu discurso?

– Entregar a letra da música e solicitar que encontrem nela a tese (que está implícita) e alguns argumentos.

São Gonça

Composição: Seu Jorge

Pretinha
Faço tudo pelo nosso amor
Faço tudo pelo bem de nosso bem (meu bem)
A saudade é minha dor
Que anda arrasando com meu coração
Não duvide que um dia
Eu te darei o céu
Meu amor junto com um anel
Pra gente se casar
No cartório ou na igreja
Se você quiser
Se não quiser, tudo bem (meu bem)
Mas tente compreender
Morando
em São Gonçalo você sabe como é
Hoje a tarde a ponte engarrafou
E eu fiquei a pé
Tentei ligar pra você
O orelhão da minha rua
Estava escangalhado
Meu cartão tava zerado
Mas você crê se quiser...

– Desenvolver com os cursistas a Atividade 1 (p.15-16): destacar que a linguagem sempre cumpre determinados propósitos argumentativos, mesmo que não tenhamos consciência disso.

– Desenvolver a Atividade 2 (p.19-20): destacar a tese (ideia de que se pretende convencer o leitor) e a existência de estratégias ou recursos argumentativos, que são as várias formas utilizadas para convencimento. Nos textos argumentativos esses recursos são chamados de argumentos.

4º momento

  • Identificar e analisar os diferentes tipos de argumentos que sustentam uma argumentação textual.

– Fazer com os cursistas a Atividade 7 (p.27) e destacar a existência de vários tipos de argumentos.

– Dividir os cursistas em grupos e pedir que cada grupo desenvolva uma atividade com o objetivo de apresentar alguns tipos de argumentos que são empregados em textos argumentativos:

Provas concretas (Atividade 8, p.28);

Exemplo (Atividade 9, p. 29);

Argumento de autoridade (Atividade 11, p. 32-33);

Relações lógicas do texto (Atividade 12, p.34-35)

– Desenvolver o Avançando na prática (p. 39) com os cursistas.

5º momento

  • Reconhecer a qualidade da argumentação textual.

– Uma argumentação é considerada inadequada ou defeituosa quando não dá condições para que os objetivos sejam atingidos. Há várias razões para isso acontecer: podem ser razões ligadas à incompreensão, ou não aceitação, do interlocutor; podem ser razões ligadas ao desenvolvimento do texto, ou mesmo a razões relacionadas à não correspondência entre argumentos e o “mundo real”.

– Desenvolver a Atividade 21 (p.49)