Leitura compartilhada do texto O mundo é vasto, de Danuza Leão.
O mundo é vasto
Danuza Leão
É muito difícil encontrar nosso caminho, o certo - se é que ele existe. O que você pretende ser quando crescer? Sinceramente: alguém, em sã consciência, pode, aos 15, ter a certeza de que pretende passar a vida no pregão da Bolsa de Valores ou abrir um restaurante chinês? As coisas vão acontecendo, as ocasiões se apresentando e, como dizem os gaúchos, é preciso estar atento para montar o cavalo quando ele passar encilhado. E, se olhar para trás, vai reconhecer que talvez ele tenha passado várias vezes - só que você não percebeu. Na vida pessoal/afetiva é a mesma coisa. Quantas vezes não aconteceu de aparecer alguém com quem você poderia ter vivido uma bela história, mas que não foi nem considerado na época, porque seu coração batia mais forte quando o outro chegava; aquele, aliás, que quase nunca chegava e um dia te largou por outra. É duro chorar pelo que não se fez e pela pior das cegueiras: a cegueira mental. É maravilhoso saber o que se quer e trabalhar com perseverança para chegar lá, mas a vida não pára de passar; enquanto batalha pelo que quer, fique atenta, pois de repente pode acontecer alguma coisa que vai mudar totalmente seu rumo. Seu sonho é fazer um documentário, mas ainda não conseguiu chegar lá - é, a vida é dura, somos todos injustiçados e incompreendidos. Se nesse meio tempo alguém oferece um trabalho por 15 dias, coisa modesta, tipo encapar livros ou ajudar a fazer pulseiras de artesanato ganhando uma graninha bem pequena, você aceita ou se sente quase ofendida? Pois aceite: quem sabe descobre uma vocação que nunca havia percebido antes e acabe criando jóias de verdade e se tornando uma nova Paloma Picasso. No meio do caminho tudo pode acontecer, até descobrir que você gosta mesmo é de mexer com metais - e daí para virar escultora é só um passo. E tem a natureza, os mares, as florestas, os desertos, os aviões, a televisão, os sabores, as texturas, a política, as crianças, o frio, o prazer de andar descalça na grama, a internet, os peixes, o amor, os livros, o vento, a chuva, o futuro, o passado, a memória, a esperança, o sono, a água, o fogo, as letras, os números, as religiões, a cultura, a história e o melhor de tudo: a imaginação. Não é possível que você não consiga encontrar um interesse digno desse nome diante de tantas maravilhas. De pelo menos uma dessas coisas você deve - ou pode - gostar apaixonadamente. Vá ao mercado perto de sua casa, compre um abacaxi e pense no milagre que é a natureza, milagre que se repete em cada fruta, cada folha, e que uma vida inteira seria pouco para refletir sobre o que é o paladar, o aroma, a textura de cada uma dessas coisas que a gente olha todos os dias mas não vê. De descoberta em descoberta a vida vai passando e, um dia,quando você menos espera, acontece o que você mais queria: encontra seu verdadeiro caminho. Quando isso acontecer, vai ser maravilhoso, mas mesmo assim nunca abra mão das infinitas possibilidades que existem e vão existir sempre.
2 º momento
Introdução ao tema da Unidade 3 (TP1): O texto como centro das experiências no ensino da língua
- Os objetivos da unidade:
– conceituar texto;
– indicar as razões do estudo prioritário de textos no ensino/aprendizagem de línguas;
– reconhecer os diferentes pactos de leitura dos textos.
- Afinal, o que é texto?
– Realização da dinâmica “O que é texto?”:
i. vários textos, de gêneros diversos, são colocados à disposição do grupo (conta de água, poema concreto, letra de música, fotografia, ficha de inscrição, etc.);
ii. os cursistas são estimulados a dizer quais, dentre os materiais apresentados, podem ser chamados de texto;
iii. a definição de texto sugerida no TP 1(unidade 2, seção 1) é apresentada e os cursistas devem revelar que critérios eles usaram para decidir se determinado material poderia ou não ser considerado texto.
– Texto é toda e qualquer unidade de informação, no contexto da enunciação. Pode ser oral ou escrito, literário ou não literário.
– Há textos verbais, criados com palavras e textos não verbais, criados por outras linguagens que prescindem a palavra.
– Leitura é o processo de atribuição de sentido a qualquer texto, em qualquer linguagem.
– Leitura de imagens: desenvolvimento da Atividade 5 (p. 103).
- Por que trabalhar com textos?
De acordo com os PCNs,
A importância e o valor dos usos da linguagem são determinados historicamente segundo as demandas sociais de cada momento. Atualmente, exigem-se níveis de leitura e de escrita diferentes dos que satisfizeram as demandas sociais até há bem pouco tempo – e tudo indica que essa exigência tende a ser crescente. A necessidade de atender a essa demanda obriga à revisão substantiva dos métodos de ensino e à constituição de práticas que possibilitem ao aluno ampliar sua competência discursiva na interlocução.
Nessa perspectiva, não é possível tomar como unidades básicas do processo de ensino as que decorrem de uma análise de estratos – letras/fonemas, sílabas, palavras, sintagmas, frases – que, descontextualizadas, são normalmente tomados como exemplos de estudo gramatical e pouco têm a ver com a competência discursiva. Dentro desse marco, a unidade básica do ensino só pode ser o texto.
O objetivo de ensino-aprendizagem da língua é, portanto, desenvolver nos alunos sua competência discursiva, que em última análise é a capacidade de compreender e produzir textos diversos, orais, escritos, em particular os de ampla divulgação na sociedade (p. 106).
– Os textos têm de ser explorados no que eles têm de único e não só nas suas marcas mais gerais.
– Organizados em grupos menores, os cursistas escolhem um dos textos apresentados durante a dinâmica inicial e preparam uma atividade de compreensão e análise direcionada a uma turma de um dos anos do ensino fundamental. Ao apresentar a atividade, explicitam os objetivos específicos que pretendem atingir (habilidades e competências a serem trabalhadas).
- Os pactos de leitura
– Análise de anúncios publicados em sites de relacionamento:
Cássia se inscreveu em um site de encontros com o objetivo de encontrar um namorado.
Perfil de Cássia
“Sou professora, tenho 42 anos, adoro ler, viajar e curtir as baladas. Não sou propriamente romântica, mas sei dar e receber carinho... Desejo viver um relacionamento que se baseie em respeito à individualidade, companheirismo e afeto. Se deseja algo semelhante, escreva-me falando um pouco sobre si”.
Em resposta, ela recebeu as seguintes mensagens:
Recado enviado por QI
olhos penetrantes, coraçao ardente...
estou so preciso de uma companheira pra morar na fazenda, cuidar de gado ou seja uma vida sertaneja. ta afim entao e agora .....
Recado enviado por ELIAS
Profissional especializado e pós-graduado no exterior, um pouco caseiro, mas que gosta de sair e se divertir em lugares legais, viajar, ler, ver filmes, aproveitar dias de sol com família e amigos, enfim, um pouco sério às vezes, bem divertido às vezes, enfim, difícil se auto-descrever. Se achar que deve: ARRISQUE-SE!
Recado enviado por PORTUGA
Portugues que gosta da diversao
EU sou natural, so conhecendo para saber a verdade, algo muito diferente
Recado enviado por TOMATE
Aprendi com a vida, e ainda quero aprender mais...........
Sou brincalhão, mas gosto de coisa séria quando há esta necessidade, procuro meu par, aquela com quem gostaria de ter um Amor, seja como for, aquela loucura, que todo romântico quer, seja ela com ou sem final feliz, mas uma história de Amor............
Como acha que ela reagiu a cada uma dessas respostas, ou seja, que leitura ela fez de cada um dos perfis?
– Uma vez que o texto realiza a interação, nas considerações sobre texto devem ser evidenciados os sujeitos dessa interlocução.
– Assim como o locutor, com suas intenções, imagina seu interlocutor, e, em função do contexto específico, produz seu texto, o interlocutor, com seus objetivos e experiências, procura o texto que lhe serve em dado momento.
– Pacto de leitura é um “acordo”, um “contrato” implícito entre o locutor e o interlocutor de um texto, por meio do qual cada um cria uma expectativa com relação ao que vai ser lido.
3 º momento
Introdução ao tema da Unidade 4 (TP1): A intertextualidade
- Os objetivos da unidade:
– identificar os traços da intertextualidade em nossa interação cotidiana;
– identificar os vários tipos de intertextualidade;
– identificar os pontos de vista nas diversas interações humanas.
- O diálogo entre textos: a intertextualidade
– A intertextualidade é o que ocorre toda vez que um texto tem relações claras com outro, ou outros. É, portanto, um diálogo de um texto com outro.
– Leitura de charges publicadas, na última semana, em periódico local:
i. com que acontecimentos/notícias dialoga cada uma das charges?
ii. é possível perceber o humor das charges sem o conhecimento prévio desses acontecimentos/notícias?
iii. duas das charges fazem referências a questões especificamente locais: quais são elas?
iv. Pessoas que não residem em nossa cidade e que não conhecem a nossa realidade, ao fazer a leitura dessas charges, atingiriam o mesmo nível de compreensão que nós?
- As várias formas de intertextualidade
Processos intertextuais que envolvem o texto inteiro
Paráfrase e paródia serão entendidas a partir da leitura de “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias e de outros textos que com ele dialogam.
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
– Paráfrase: acompanha de perto o texto original, como ocorre nos resumos, adaptações e traduções.
[...]
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a "Canção do Exílio".
Como era mesmo a "Canção do Exílio"?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras
onde canta o sabiá!
(C.D.A, “Europa, França e Bahia”)
– Paródia: inverte ou modifica a narrativa, sua lógica, sua ideia central. Em geral, é crítica.
RETIFICAÇÃO
Claudius Hernon Portugal
As palmeiras derrubaram
Para no lugar construírem
uma auto-estrada
O sabiá ganhou um festival
nos idos de 68
Mas está sendo rapidamente
exterminado
Ou anda preso
em alguma gaiola
O exílio de minha terra
deixou de ser uma canção
– Pastiche: procura aproveitar a estrutura, o clima, determinados recursos da obra.
Muitos programas humorísticos brasileiros fazem de seus quadros pastiches. É o que acontece, por exemplo, com o infantil “A turma do Didi”, em que a estrutura, as ações, a dinâmica das cenas se apóiam em clássicos do cinema mudo, como “O Gordo e o Magro”.
Processos intertextuais pontuais, que retomam um ou alguns elementos do texto
– Citação: consiste em apresentar um texto, um dado da obra. O segundo texto procura deixar claro o texto original. No caso do texto verbal, o autor do texto original é indicado.
Para entendermos o que é linguagem, faz-se necessário definirmos antes signo lingüístico. De acordo com Vanoye (2002, p. 21),
Signo é a menor unidade dotada de sentido num código dado. Decompõe-se num elemento material, perceptível, o significante, e num elemento conceptual, não perceptível, o significado (por exemplo, a palavra mesa pode ser ouvida ou vista, conforme seja pronunciada ou escrita: o som “mesa” e a forma gráfica “mesa” são significantes que remetem ao mesmo significado, o conceito de mesa, “objeto constituído por uma superfície plana sustentada por um ou mais pés”).
A linguagem é, pois, um conjunto de signos, um código composto por um conjunto de regras que tanto permite construir mensagens, quanto compreendê-las.
– Epígrafe: tem as mesmas características da citação, mas tem localização fixa: aparece sempre como abertura do segundo texto.
– Referência: é a lembrança de passagem ou personagem de outro texto.
“’A Divina Comédia’. Procurei, um por um, umas três ou quatro vezes e não encontrei. Eu tinha certeza de ter aquele livro em casa. Quantas vezes o folheei, revirando os trechos do inferno... o encontro de Dante com Francesca, condenada pelo amor...”
– Alusão: é o aproveitamento de um dado de um texto, sem indicações ou explicitações.
- O ponto de vista
– Desenvolvimento da Atividade 11 (p. 149-150).
Atividades avaliativas previstas
– Desenvolvimento pelos cursistas de uma das atividades sugeridas nas seções Avançando na prática das Unidades 3 e 4.


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