quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Oficina 8 – 11 ago. 2009



1º momento

– Leitura compartilhada.

2º momento

– Unidade 18 (TP5): Coerência Textual

  • O que é a coerência textual?

– A coerência textual é a possibilidade de atribuir uma continuidade de sentidos a um texto. Essa continuidade se dá na relação de compatibilidades entre partes de um texto.

  • Do que depende a coerência textual?

– Fatores lingüísticos: no caso de textos verbais, para a construção da coerência, é necessário que tanto aquele que o produz o texto, quanto aqueles que o lêem tenham certo domínio do léxico e das relações de sentido que se estabelecem entre os elementos (ou termos) que compõem a seqüência lingüística. Em textos que empregam linguagens não verbais, o reconhecimento dos signos empregados e da relação que se estabelece entre eles dentro de um sistema se faz necessário. Porém essas NÃO são condições suficientes.

– A coerência depende de fatores que não estão somente no texto. O conhecimento de mundo e as experiências prévias das pessoas que os interpretam são alguns desses fatores.

Exibir reprodução da tela surrealista de Joán Miró, Cabeza de campesino catalán (fig. 1), e perguntar aos cursistas:

1. O que é isto? Como chegaram a essa conclusão?

2. O que a imagem retrata?

Se houver dificuldade para ler a imagem, revelar o título da obra.

Para ler a imagem foi necessário acessar o conhecimento que temos de pintura, do surrealismo, da arte abstrata, da estrutura de uma cabeça humana, de alguns signos que são próprios da obra de Joán Miró.

– A coerência textual tem a ver com a possibilidade de articular as informações trazidas pelo texto com o conhecimento que os interlocutores já têm da situação e do assunto. Se essa articulação for muito difícil, ou mesmo impossível, a coerência fica prejudicada ou não se estabelece.

Analisando a imagem apresentada, concluímos que a sua leitura, a construção da coerência foi mais fácil para aqueles mais familiarizados com a pintura e o surrealismo (conhecimento de mundo, conhecimento prévio), assim como também com o sistema de signos empregados pelo artista (sistema lingüístico).

– O texto deve apresentar equilíbrio entre as informações já conhecidas pelo leitor e informações novas, ou seja, a coerência depende tanto do leitor, quanto do autor do texto.

Observar que alguns dos leitores necessitaram da informação do título da obra para construir a coerência. Para esses, o texto era demasiadamente lacunar para ser coerente, havia desequilíbrio entre informações pré-existentes e informações novas.

– A coerência de um texto não depende apenas da realidade das coisas, da realidade do mundo. É uma característica que pode ser construída também na imaginação, na possibilidade de recriar por meio de imagens, um princípio de interpretabilidade, um fio condutor para a leitura e a interpretação de textos.

Se tomarmos como base somente o mundo real, a imagem parece caótica, incoerente, impossível de ler por não ser possível estabelecer uma relação de continuidade entre as suas partes. Porém, no mundo onírico com que trabalha o surrealismo, perceber a continuidade de sentidos é perfeitamente possível.

– Para o estabelecimento da coerência textual contribuem, como já foi mencionado, fatores não estritamente lingüísticos, tais como o contexto situacional, os interlocutores entre si, suas crenças e intenções comunicativas, o relacionamento social entre eles, além das funções comunicativas do texto. Em suma, a situação sociocomunicativa – que define os gêneros textuais – fornece critérios relevantes para as decisões sobre a coerência de um texto. Por isso, a coerência também depende de um gênero textual.

A compreensão e a interpretação da imagem analisada, a construção da coerência seriam menos complicadas caso essa mesma imagem fosse contemplada em uma exposição de artes plásticas. O contexto facilitaria a interação dos interlocutores: o artista plástico (cuja intenção comunicativa é conduzir aquele que contempla sua obra ao espaço onírico onde se recriam elementos do real, é revelar-lhe a sua percepção particular do mundo); o leitor (que procura a fruição por meio da contemplação da obra de arte).

Exibir montagem feita com a tela Cabeza de campesino catalán e cartaz de desaparecidos divulgado pelo Governo de Minas e questionar sobre a coerência da inserção da imagem: é coerente ou não? Embora a imagem seja, agora, percebida como coerente, ela não o é nesse contexto: por quê? 1. se a pintura for considerada um gênero, este não é adequado à situação comunicativa (uma fotografia seria adequada); 2. não é possível estabelecer continuidade de sentido entre as partes do texto (se considerarmos texto o cartaz); 3. se a imagem fosse um retrato abstrato do desaparecido, a linguagem utilizada não seria adequada.

2º momento

– Unidade 19 (TP5): Coesão Textual

  • O que é a coesão textual?

– A coesão textual é um mecanismo lingüístico que articula as informações de um texto, relacionando sentenças com o que veio antes e com o que virá depois, no propósito comunicativo de, conjuntamente, tecer o texto.

– É um conjunto de recursos lingüísticos que orientam a construção da continuidade de sentidos.

– A interdependência de explícita entre as partes do constitui a coesão textual.

– A coesão é responsável pela continuidade e pela progressão de ideias.

Fazer oralmente com os cursistas a Atividade 2 (p.121) e destacar a interdependência explícita entre a parte visual e a parte verbal do texto.

  • Como se constitui a coesão textual?

– Em um texto, são muitas as expressões que retomam ideias e informações anteriores. Essas expressões são os mecanismos coesivos que compõem a coesão textual. Cada um desses mecanismos é chamado de elo ou laço coesivo e o seu encadeamento constitui a cadeia coesiva.

Solicitar aos cursistas que façam por escrito a atividade 3 (p.123) e destacar os elos coesivos do texto.

  • Os elos coesivos

– Coesão referencial: retomada, por meio de elementos lingüísticos expressos no texto, de outros elementos presentes no mundo textual. Continuidade

Fazer oralmente com os cursistas a atividade 8 (p.138) e destacar que os mecanismos de coesão retomam elementos presentes no texto de maneiras diversas: resumindo ideias já expressas (b e c); substituindo essas ideias por pronomes ou advérbios (a e e); substituindo-as por outros sintagmas nominais (c); fazendo comparações (c e e); etc.

Solicitar que os cursistas façam por escrito a atividade 9 (p.140-142).

– Coesão seqüencial: estabelecimento de relações entre as partes do texto que o fazem progredir. Progressão

Fazer oralmente com os cursistas a atividade 12 (p. 150-151) e analisar as expressões que levantam expectativas em relação ao modo como será desenvolvido o texto, que criam um jogo entre as expectativas que o leitor é lavado a ter e a continuidade do texto.

Solicitar que os cursistas façam por escrito a atividade 14 (p. 154) e analisar a progressão de ideias.

Atividades avaliativas referentes à Oficina 8

– Relatório de um “Avançando na prática” das Unidades 18 e 19.



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